DTcom
← Conteúdo

Sala de Aula Invertida: mudando o modelo do ensino tradicional

Institucional05 de julho de 2017
Flipped Classroom: Estudantes fazem atividades e discutem a prática sob a orientação do professor

Tanto nas salas de aula presenciais quanto nas virtuais ainda é comum a prática do ensino tradicional, com métodos baseados em aulas expositivas, e pouco espaço para discussões e interações. Mas este é um modelo que já vem sendo criticado por especialistas há pouco mais de um século.
John Dewey, autor do livro “Vida e Educação”, publicou sua primeira crítica já em 1916. E ele é apenas um entre muitos outros teóricos cognitivistas a criticar o modelo “tradicional” de ensino. No livro Inovando a universidade do século 21 (tradução livre), Williams Tapscott enfatiza: “a aprendizagem baseada na transmissão pode ter sido apropriada para uma economia e uma geração anterior, mas cada vez mais ela está deixando de atender às necessidades de uma nova geração de estudantes que está prestes a entrar na economia global do conhecimento.”

 

“Flipped classroom” como alternativa

O modelo tradicional de ensino começou a ser repaginado à medida que as tecnologias digitais de informação e comunicação começaram a fazer parte do dia-a-dia dos estudantes e dos professores. A educação a distância foi ainda mais impactada, uma vez que esta forma de estudo exige que o estudante seja mais agente do seu processo de aprendizagem, e deixe ao professor o papel de mediador.

Foi neste novo cenário que o conceito de flipped classroom (ou, em português, sala de aula invertida) começou a surgir. Mas foi a partir de 2010 que o termo ganhou relevância, estimulado por publicações internacionais.

Nos Estados Unidos, segundo conta J.A. Valente, no livro “Blended learning e as mudanças no ensino superior”, há inclusive uma organização chamada Flipped Learning Network (FLN). Com mais de 25 mil educadores participantes, a organização “divulga conceitos sobre a aprendizagem invertida para que educadores possam implantá-la com sucesso”.

 

Mas, afinal, por que “Sala de Aula Invertida”?

Sala de aula invertida: professor e novas tecnologias para melhorar a aula

Como a mudança é principalmente metodológica, é necessário que o conteúdo seja cuidadosamente planejado para este fim, pois caberá ao aluno fazer o estudo do conteúdo, enquanto o momento de interações com os professores, seja a distância ou presencial, será focado nas práticas.

Isto significa que as atividades e aplicações que antes o aluno fazia em casa, agora passam a ser feitas na sala de aula, presencial ou virtual, com a mediação do professor. Daí o nome de Sala de Aula Invertida, em português, e Flipped Classroom em inglês.

Este é um método que pode tranquilamente ser utilizado tanto no ensino híbrido quanto no ensino totalmente a distância. Contudo, é necessária especial atenção ao conteúdo. Para que o aluno consiga compreender a parte conceitual e entender sua aplicação durante a interação com o professor, o conteúdo deve ter sido adequadamente planejado, redigido, didaticamente estruturado, e editado em uma linguagem dialogada. Além disso, deve ser permeado por recursos didáticos como exemplos, imagens, infográficos, tabelas, gráficos e outros recursos que facilitem o aprendizado.

 

Então é possível colocá-lo em prática?

Sim! Talvez seja mais fácil iniciar este processo no EAD, que já tem por prática preparar os materiais a fim de facilitar o entendimento do aluno. Mas o ensino presencial precisa avançar no uso das tecnologias digitais de informação e comunicação, e implantar o Blended Learning, ou Ensino Híbrido, pode ser a forma mais fácil de fazer esta transição e aplicação da metodologia Sala de Aula Invertida.
Contudo, é importante lembrar de uma certa barreira cultural do estudo tradicional: tanto alunos quanto professores estão acostumados à metodologia de aulas expositivas, com pouca ou nenhuma participação dos estudantes.

No livro Sala de Aula Invertida: uma abordagem para combinar metodologias ativas e engajar alunos no processo de ensino-aprendizagem, de 2017, Schmitz explica que a “adoção da sala de aula invertida retira ambos, aluno e professor, de suas zonas de conforto. As atividades de baixa cognição, antes providas pelo docente em sala de aula, passam para a responsabilidade do aluno, que deve administrá-las em seu tempo pessoal.”
O maior desafio, contudo, não é apenas o cuidado com que se deve tratar do conteúdo, mas o fato de que ambos professores e alunos precisam compreender esta nova forma de ensinar e aprender.

Todos sabemos que mudar cultura não é simples. Requer tempo, capacitação e compreensão dos ganhos. É necessário que professores e aprendizes percebam que todos ganham com a Flipped Classroom.
Você pode ler mais sobre as tendências das novas tecnologias no ensino nos posts sobre Objetos de Aprendizageme sobre as  5 tendências do Ensino a Distância que vieram para ficar.

 

Assinatura Rita Guarezi, Diretora de Educação da DTCOM.

Quer saber mais sobre as soluções DTcom?

Falar com especialista

Usamos cookies para melhorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies conforme nossa Política de Privacidade.